quarta-feira, 15 de abril de 2009

A vida comum e seus exageros cotidianos

Em meio a tapas, socos e chutes, ela pensava na casa em que morava quando criança. Era um lugar bem roça mesmo, sabe? Simples, mas tranquilo. Sua família era carinhosa e ela era menina de pés no chão vermelho. Nunca teve requintes, mas vivia bem. Pelo menos, não passava pela sua cabeça reclamar. E hoje, sentindo tanta dor, ela pensava mesmo era em agradecer a Deus pela criança que foi. E antes de desmaiar, se lamentou: sua infância não a ajudou a ser uma adulta vitoriosa. Por enquanto ela não sabe, mas não vai acordar naquele quarto pequeno. Talvez será na rua mesmo. O morador do lugar, dono de um braço forte e daquele corpo nu sobre um corpo inérte, ainda não tinha pensado onde colocá-la. Na verdade, ele nem esperava que ela desmaiasse, talvez tenha exagerado na força. Pelo menos não teria que pagar.

No andar de cima, uma mocinha, com seus típicos 15 anos, comemorava aos gritos. Finalmente recebeu o telefonema que tanto esperou. Seu coração parecia que ia pular pela boca. A conversa foi simples. Até um pouco seca. É que seu nervosismo não ajudou muito. Mas parece que ele gostou. Gostou, não é verdade? Vão se encontrar novamente. E ela colocará sua melhor roupa, ao som da sua cantora preferida. Um cabelo descolado e pouco perfume. É que ela já tinha se informado: ele não gosta de exageros.

No primeiro andar uma senhora dormia serenamente. Ultimamente era o que mais fazia. Nessa idade avançada, não entende muito a televisão e nem tem paciência para isso. Viúva e sozinha. Não por opção, veja bem, é que os filhos cairam no mundo e não cuidam da velha. Ela vive com o pouco que a aposentadoria oferece. Mas já está muito difícil, sem ninguém para ajudar com as compras, por exemplo. Mas não reclama, afinal viveu tanto. Acabou de acordar, está na hora dos remédios. Sofre com as dores e olha que ela nunca foi de exagerar no que sentia!

--> Texto publicado no blog "Mesa pra cinco", no dia 12 de fevereiro de 2009.

terça-feira, 7 de abril de 2009

1- ..., 2-..., 3-... .


1- Esmaltes variam de cor.
2- É preciso saber mais que amarrar os cadarços.
3- Para sorrir você move 28 músculos da face.
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1- Os homens são tão diferentes de nós, mulheres. Se satisfazem com coisa pouca. O sexo, por exemplo, eles podem ver uma mulher vestida de roupas mínimas/nada, dançando/fazendo quase qualquer coisa, que se excitam. Nós precisamos do toque e de palavras doces ao pé do ouvido. Até mais que isso, uma segurança (não são todas, é claro), um carinho, sabe?! Tipo o tal "algo especial".
2- Não acho difícil cozinhar. O problema é quando o sabor não sai do jeito que você quer. Daí não importa o quanto elogiem, você não fica satisfeito. O engraçado é que foi usado todas as técnicas culinárias que estão ao seu alcance e, mesmo assim, o sabor não é o esperado. Nem sempre a técnica é a solução. Faltou um "algo mais" que talvez em um outro dia aconteça.
3- A gente chora por muita coisa que no momento parecem mesmo pedir lágrimas. Depois de mais um tempinho de vivências aprendemos como dar prioridade a determinados acontecimentos e esses exigem mais responsabilidades do nosso choro. Ou seja, tem coisas na vida que te fazem ficar triste, mas você certamente vai aprender com elas e vai mover montanha para resolvê-las ou superá-las.

terça-feira, 31 de março de 2009

Tudo isso no tradicional dia das tentativas infames de te enganar! Humpf!

Você tem um bom anti-vírus no seu computador? Hoje me veio a realidade: o meu é péssimo. Assumo que não entendo dessas coisas e, por isso, entrei em pânico ao ver no jornal que amanhã vai ser disparado um vírus que pode atingir todos os computadores! Eu nem sabia que se dispara coisas do tipo... ¬¬

Provavelmente você pensou o mesmo que eu - "Desligo o meu computador e boa u.u". Eu já estava me gabando da minha brilhante idéia, quando o entrevistado no jornal jogou a bomba -"NÃO ADIANTA". Claro que na hora me pareceu um comentário até agressivo.

Como que eu, reles mortal, faço para não levar a pior com o tal vírus do dia 01 de abril? Simples, meu bem, um bom anti-vírus! Ok, ok! Mas eu não tenho um bom e o que eu tenho não costuma ser atualizado. Além disso, você pode ri ao ler o que estou prestes a falar, mas a verdade é: NEM SEI COMO QUE SE FAZ ISSO!

O tal vírus só vem para me estressar. Tá, eu sei que me estresso com exagero, já que especialistas falaram que talvez nem aconteça e se acontecer pode não ser tão sério e blá, blá, blá. Nessas horas sempre tem um especialista para falar. Espero realmente fazer tempestade em como d'água!

Mentira ou verdade?
http://g1.globo.com/Noticias/Tecnologia/0,,MUL1064411-6174,00-VIRUS+QUE+INFECTOU+MILHOES+DE+PCS+PODE+ATACAR+EM+DE+ABRIL.html

Obs: O link está feio assim porque, além de tudo, estou trabalhando em um computador irritante que não abre quase nada! 
Obs2: Eu só posso estar no auge da minha tpm!!
Obs3: Saudade de todos vocês xD
Obs4: ;****
Obs5: Eu não fazia esse tanto de observação desde a época do colégio, quando sempre tinha alguém que te dava uma agenda para escrever! Escrever o que? Você endagava. Sobre o que quiser ^^. Ai você escrevia e depois de um tempo até criou um padrão para as agendas. Já estou mudando de assunto, né?!

quarta-feira, 18 de março de 2009

Detalhes




Sentado no costumeiro banco da costumeira praça, ele observava os pombos. Bem típico de um homem daquele tipo, sem grandes objetivos na vida. Nao se sentia sozinho, longe disso. Para ele as coisas já estavam acontecidas e o tempo não o ajudara nessa questão: tudo o que foi feito passou e não tem mais como mudar. É assim que deve pensar um homem daquele tipo.

Pois parado ali ele, que nunca se considerou nostalgico, agora se lembrava de algumas das coisas que passam e não podem ser mudadas.

Lembrou-se dela e da única vez que saíram juntos. Ele era bem mais jovem. Época em que seus cabelos ainda eram negros, bem negros, e ele não usava óculos. É certo que era um rapaz garboso, como costumavam dizer, mas tímido, coitado. Não conseguia se dar bem com as mulheres. Embora não concordasse, as pessoas o achavam muito perfeccionista. Ora! Mas que engano, nunca foi perfeccionista, essa é a verdade.

Mas sempre que se lembrava dela, sentia algo estranho. Arrependimento? Não, imagine! De qualquer maneira, nem era um sentimento importante. Pelo menos é assim que ele achava.

Sobre ela, suas lembranças eram bem nítidas. Uma mulher tão diferente dele. Um ser que era pura atitude e usava um vestido preto de-co-ta-do! Cruzava e descruzava as pernas e inibia ele, ainda rapaz. Os cabelos soltos e o perfume forte que declarava: sou uma mulher ousada. Antes que ele pensasse em chamar o garçom, ela levantou o braço, muito branco por sinal, e o chamou. Ele se assustava a cada gesto. Onde já se viu, mulher daquela época não chamava o garçom! Era gulosa de informação e não parava de falar. Observando aquela linda mulher, notou que era perfeita. Perfeita, se não fosse por um detalhe, roia as unhas. Ela falava com aquela voz rouca e ele olhava para suas mãos. "Ah! A comida chegou! Ouvi falar que a comida daqui é ótima! Você está me ouvindo?". Estava, estava ouvindo, mas vendo também. Ela levou as mãos aos talheres e ele seguiu as dez unhas pequenas e comidas.

-Tchau! Adorei tudo!
Despediu-se ela, com um ousado beijo no pescoço dele.

-Er... foi bom.
Disse ele, esquecendo-se de ficar vermelho e vendo as mãos dela segurando a bolsa.

-Então, posso te ligar?

-O que?

-Posso te ligar?

-Deixa que eu te ligo...

Ele nunca ligou. Não sabe bem o porque, mas nunca ligou.